Nem Sortelha escapa?
Deve ter sido mais uma alucinação auditiva: colocar hélices eólicas praticamente em cima desta aldeia histórica... para adquirir uns trocos, pelo que percebi do presidente da Câmara, progresso e tal, conciliar o passado com o séc. XXI... foi a ideia que ficou... estamos aqui isolados...
Só quem não percebe nada de nada dos nossos maiores trunfos, o que é genuíno e se mantém no tempo, esses lugares procurados pelo sossego, pela beleza indescritível desse espaço... a pedra, as casas, o silêncio...
Nem Sortelha escapa à voracidade desta gente que nada percebe do que é um país, a alma desse país, a beleza desse país?
Nem Sortelha escapa à falta de sensibilidade estética desta gente que nada percebe de um país poético, onde cada vez temos mais dificuldade em ouvir o silêncio?
Nem Sortelha escapa à ignorância cultural e histórica desta gente que nada percebe sobre equilíbrio e organização das diversas áreas territoriais?
A Beira Baixa da minha infância já foi invadida pelas hélices eólicas, a tal ponto que o perfil das suas montanhas já está irreconhecível. Mas enfim, há lugares em que se justificará o aproveitamento do vento. Mas em Sortelha? Uma aldeia histórica? Única? Que permanece no tempo?
Lá terei de procurar a Petição para assinar, pois ouvi no rádio que já corre na internet.
Petição online Vamos salvar Sortelha: está aqui. É certo que só nos envolvemos no que de alguma forma, por vezes inexplicável, nos toca e sensibiliza. A beleza poética dos lugares da Beira Baixa está ligada às minhas memórias mais felizes. Ainda há pequenos oásis por destruir, mas já são muito poucos. Sortelha é um deles. E não é só a beleza indescritível desta aldeia, é o silêncio, o ar ainda respirável, a sensação de espaço...
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Coisas simples: alucinações auditivas
Desde 2ª feira que ando com esta perplexidade. Será que sofri uma alucinação auditiva ou ouvi mesmo esta frase a Miguel Sousa Tavares no final da entrevista a um ex-investigador da PJ com o livro apreendido: Já lhe arquivei a entrevista...?
Será que ouvi bem?
Nesse caso, como posso ter ouvido esta análise ao mesmo jornalista no início do programa: a liberdade de expressão nunca esteve em causa no país, mesmo referindo, com o maior desplante, que sempre houve pressões sobre jornalistas, etc. e tal?
Diferente, muito diferente, tinha sido a entrevista ao PM uma semana antes. A primeira do programa Sinais de Fogo.
E Candal, poucos minutos depois, a interromper a Zézinha na TVI24, que o PM já tinha dado o esclarecimento cabal sobre o assunto numa entrevista a um jornalista conceituado... que o assunto já estava encerrado...
Bem, nesta 2ª feira o Sinais de Fogo transformou-se em fogueira inquisitorial, pelos vistos. O entrevistado tem o livro apreendido, não pode referir-se ao seu conteúdo, e é acusado pelo jornalista de vários delitos e nem sequer pode responder... Mas ainda conseguirá dizer: Está a pôr palavras na minha boca... isso não está no livro... Não leu o livro... Não leu o processo...
O jornalista já tem uma tese e trata-se de a impor. Aliás, já tem uma acusação formada, só falta a sentença. Pelos vistos, era arquivar a entrevista. Vá lá vá lá, podia ser pior...
